Cidade de Jing, Residência dos Lawton.
Margaret Lawton acordou com a cabeça latejando, como se tivesse sido rachada ao meio. Ainda estava zonza quando, de repente, sentiu alguém puxando suas pernas para longe uma da outra.
Seus olhos se abriram num estalo — frios, sombrios e afiados.
Um homem de meia-idade, seboso e gordo como um porco, arfava enquanto tentava subir em cima dela.
"Saia daqui!"
Margaret dobrou o joelho e acertou um chute forte bem no meio da barriga inchada dele.
Pego completamente de surpresa, o homem voou para trás e caiu no chão com um baque alto.
"Ai… droga!"
Debatia-se no chão como uma tartaruga virada, gemendo sem parar.
"Agh… minhas costas!"
Seu rosto oleoso se contorceu de dor enquanto ele rolava, suor escorrendo da testa.
"Sua vadiazinha…"
"Você ousa me bater?! Eu vou te matar!"
Ignorando a dor martelando em seu crânio, Margaret se lançou para fora da cama num movimento rápido.
Esse verme sabia quem ela era?
Tocar nela? Só podia estar pedindo para morrer.
"Você não vai fugir de mim!"
O homem se levantou cambaleando, o rosto distorcido de raiva e luxúria.
"Sua preciosa família Lawton te vendeu pra mim. Hoje à noite você é minha, custe o que custar!"
Os olhos de Margaret gelaram. Ela não fazia ideia do que estava acontecendo exatamente, mas esse nojento achando que podia encostar nela?
Nem pensar.
Ela avançou e agarrou o pescoço dele com a mão direita justo quando ele tentava ficar de pé.
Houve um “crack” alto, e o grito dele morreu na hora. O corpo enorme despencou como um saco de carne.
"Sério? Esse lixo achou que podia me tocar?" Margaret sacudiu a mão, enojada.
Toda a confusão claramente tinha chamado atenção. Gente vinha se aproximando.
Margaret abriu a porta.
"Ah, Sr. Bennett, o senhor está mesmo se diverti—"
Diana Holden, exagerada na maquiagem e com um sorriso falso, veio até ali. Parou no meio da frase, confusa.
"Margaret? Onde está o Sr. Bennett?"
Ela obviamente tinha ouvido o barulho e veio conferir.Logo em seguida, uma garota também correu até lá. Ao ver a cena dentro do quarto, ela deu um sorriso debochado.
"Qual é, mana. O sr. Bennett não é exatamente um gato, mas tem grana de verdade. Você ia estar feita pro resto da vida com ele. Um monte de garotas mataria por uma chance dessas."
Antes que ela terminasse, Margaret voou pra cima dela como uma tempestade.
Smack!
Um tapa seco ecoou pelo cômodo.
"Se é um negócio tão bom assim, por que você mesma não aceita?" O olhar de Margaret era gelado. "Foi você que colocou algo na minha bebida mais cedo, não foi?"
"Ahhh—!" Jessica Lawton gritou.
"Margaret! Você enlouqueceu?! Como ousa bater na Jessica?" Diana guinchou. O rosto bem preservado de Diana Holden se contorceu de raiva.
Droga! Desde quando aquela garota, a Margaret, criou coragem?
"Por que eu não poderia revidar?" Margaret retrucou friamente.
Ela já não era mais a mesma Margaret.
A Margaret original tinha morrido naquela luta, batendo a cabeça na parede enquanto tentava resistir.
A nova Margaret — descendente de uma longa linhagem de curandeiras lendárias, treinada desde a infância em medicina, artes e estratégia — tinha despertado em um corpo que não era o dela, em um tempo completamente desconhecido.
Foi no dia do seu aniversário. Ela tinha ido dormir e, quando abriu os olhos de novo, estava ali — dentro do corpo de uma estranha com o mesmo nome.
Logo depois da fusão das almas, ela recebeu todas as memórias da antiga Margaret.
Acabou descobrindo que Margaret nem sequer era a filha verdadeira deles.
Jessica era. Margaret era só uma criança trocada na maternidade, uma falsa herdeira criada na casa de outra família.
Alguns meses antes, Margaret ficou doente e acabou no hospital. Foi lá que um exame de sangue revelou que ela não tinha qualquer relação biológica com os Lawton.
Não demorou para encontrarem a filha verdadeira — Jessica.
E, a partir daquele momento, Margaret não passou de um fardo para eles.
Começaram a olhar para ela como se não pertencesse ali, como se tivesse roubado a vida de Jessica. E já que a criaram por vinte anos, acharam que estava na hora de lucrar com isso.
Jessica cobriu o rosto e começou a chorar, os olhos cheios de uma tristeza encenada enquanto olhava para Diana.
"Mãe… Por que ela está me tratando assim?"
Diana puxou Jessica para seus braços de maneira protetora, o olhar que lançou a Margaret afiado o bastante para matar.
"Margaret! É bom você saber o seu lugar! Nós te criamos todos esses anos — você nos deve! E agora não quer fazer uma coisinha simples que pedimos?!"
Margaret deu uma risada seca, o olhar mais frio que gelo.
"Ah, é? Me vender para algum porco gorduroso — isso é o que vocês chamam de ‘favor’ que eu devo?"
Pois é. Hoje mesmo, os Lawton tinham drogado ela e tentado jogá-la nos braços do sr. Bennett só para agradá-lo, achando que ele ajudaria nos negócios da família.
Margaret tinha morrido lutando contra esse destino.
"Não se preocupe", ela murmurou por dentro, "já que agora estou no seu corpo, eu vou acertar essas contas por você.""Você passou completamente dos limites!" Diana tremia de raiva. "Acha que ainda é a filhinha querida dos Lawton? Continua sonhando! Você vai fazer isso queira ou não!"
Jessica abriu um sorriso falso e meloso e acrescentou: "Mana, a mamãe só quer o melhor pra você! Eu ouvi dizer que seus pais de verdade vivem num vilarejo super pobre... Deve ser horrível lá. Não seria melhor ficar aqui sendo mimada pelo senhor Bennett?"
Os olhos de Margaret ficaram afiados.
"Se é tão maravilhoso assim, por que você não vai aproveitar no meu lugar?" Jessica Lawton encolheu-se atrás de Diana Holden, claramente assustada com o jeito que Margaret Lawton a encarava. Seus olhos ficaram vermelhos na hora, fazendo aquele teatrinho de coitadinha, como se fosse ela a vítima.
"Sua ingrata! Como ousa se comparar à Jessica?" Diana disparou, cheia de desprezo. "Ela está prestes a se casar com a família Whitley e virar a jovem madame deles!"
Anos atrás, as famílias Lawton e Whitley tinham combinado um casamento arranjado. Agora que a filha verdadeira tinha voltado, era natural que Jessica assumisse esse noivado.
E o timing não podia ter sido melhor — Jessica e Richard Whitley tinham se dado bem de cara e iam se casar em breve.
Jessica ergueu a mão, exibindo o enorme anel de diamante no dedo, toda orgulhosa.
"Este é o meu anel de noivado! O Richard escolheu pra mim — ele disse que no mês que vem nós vamos..."
"Jessica Lawton." Margaret a interrompeu, sorrindo com frieza. "A sua família é de Dunhuang, por acaso?"
"Hã? O que isso quer dizer?" Jessica piscou, confusa.
"Porque você sabe mesmo inventar história — falação sem fim." Margaret zombou. "Relaxa. Eu não tô nem aí pra aquele riquinho mimado. Tomara que vocês dois fiquem grudados pra sempre."
Todo mundo sabia que Richard Whitley era um galinha notório, provavelmente cheio de podres escondidos.
"Você—"
O sorriso falso de Jessica sumiu na hora. A expressão dela azedou, e os olhos brilharam de raiva.
"Chega!" Thomas Lawton finalmente falou, fingindo suspirar como se estivesse carregando um grande peso.
"Margaret, estamos fazendo isso para o seu próprio bem. Já que você não valoriza, talvez seja melhor ir procurar sua família biológica. Os Lawton... não precisam mais de você."
Com medo de escândalo que pudesse manchar a reputação deles, ele puxou um maço de dinheiro da carteira e entregou a ela.
"Aqui tem cinco mil. Considere como... um presente de despedida pelos velhos tempos."
Margaret nem olhou para o dinheiro. Seus olhos ficaram gélidos. "A partir deste momento, acabo com a família Lawton."
Ela fez uma pausa, e um sorriso debochado surgiu nos cantos dos lábios.
"Quanto a esse dinheiro, é melhor vocês guardarem. Afinal—"
"O Grupo Yoon vai desabar a qualquer dia. Esses cinco mil talvez sejam a salvação de vocês."
"Sua peste! Como ousa!" Diana explodiu, incapaz de se segurar.
A audácia dela, amaldiçoando a família com falência.
Ela agarrou uma xícara na mesa de centro e a lançou contra Margaret, mas Thomas avançou e conseguiu impedi-la a tempo.
"Deixa ela ir!" ele rosnou, o rosto escuro como carvão, os olhos fixos friamente nas costas esguias de Margaret enquanto ela saía.
Afinal, era só uma garota sem nome, sem família de verdade — que mal poderia causar?
Margaret não estava mais interessada na falsa piedade deles. Jogou a bolsa no ombro e saiu pela porta sem olhar para trás.
Era só esperar.
Depois do que fizeram com ela, cada um dos Lawton ia receber exatamente o que merecia.
