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De Volta aos Anos 70, Ascensão com Amor

De Volta aos Anos 70, Ascensão com Amor

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Concluído

Introdução
Reencarnado com o coração cheio de remorso, Jermaine Anderson se viu novamente diante da esposa que uma vez havia levado ao desespero, enquanto ondas de emoção o envolviam. Dado uma segunda chance na vida, ele deixou de lado completamente sua antiga indolência. Armado com as memórias e sabedoria de sua existência passada, lutou incansavelmente no final dos anos 1970 para reescrever seu destino. Desta vez, ele estava determinado a levar sua esposa e filhos ao auge do sucesso. Para Jermaine Anderson, havia apenas um objetivo: ganhar o suficiente para sustentar sua amada esposa e criar seus filhos com conforto.
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Capítulo

Deitado no quarto do hospital VVIP, Jermaine Anderson já havia passado por duas cirurgias. Ambos os seus testículos foram removidos—ele era basicamente um eunuco. Mas nem isso pôde salvar sua vida. O câncer havia se espalhado demais.

Ao fechar os olhos pela última vez, lágrimas acumularam-se em seus olhos turvos e envelhecidos—eram lágrimas carregadas de arrependimento.

De tudo que fizera na vida, o que mais se arrependia era de como tratara sua esposa e filho.

Crystal Harland, tão linda quando jovem—se ele não tivesse tramado contra ela, ela jamais teria se casado com ele, tão quebrado como ele estava aos dezoito anos.

Ele armou todo o incidente, empurrando-a para o reservatório e depois pulando para "salvá-la". As pessoas a viram encharcada, com as roupas grudadas no corpo, e ele a carregando como um herói.

Ela casou-se com ele para salvar sua reputação. Não tinha escolha.

Desde o momento em que entrou na casa dele, ela nunca teve um único dia bom. Quatro meses após o nascimento da filha, ela simplesmente não aguentava mais. Ele estava sempre bêbado, batendo nela. Além disso, eram tão pobres que ela nem conseguia alimentar o bebê—sem leite, sem nada. A filha chorava todos os dias de fome.

No final, ela não via saída. Com o bebê chorando nos braços, ela se jogou naquele mesmo reservatório e pôs fim ao seu sofrimento.

Seus irmãos e irmã mais velhos nunca mais falaram com ele depois disso. Disseram que ele levou sua esposa ao suicídio.

Todo mundo na vila o tratava como um monstro. Depois de pedir dinheiro emprestado para enterrá-las, Jermaine deixou seu vilarejo de infância, cheio de vergonha.

Foi para a cidade, começou do zero—pouco a pouco, fez dinheiro, e com um pouco de sorte, pegou a grande onda da reforma econômica. Na meia-idade, ele era rico, dirigindo uma empresa de sucesso listada na xxx.

Mas mesmo com todo esse dinheiro, ele nunca se casou de novo. Recusava todas as belas mulheres que batiam à sua porta.

Não era que ele não queria se casar. Ele simplesmente... não conseguia. Desde que Crystal morreu, ele não era capaz de funcionar como um homem.

Tentou de tudo—remédios, médicos, até as terapias mais estranhas. Nada funcionou.

No final, morreu de câncer testicular. Apenas seu assistente e seu advogado estavam lá.

Jermaine achava que merecia aquilo. Sem esposa, sem filhos, o câncer o consumindo? Era o carma. Pouco antes de morrer, ele segurou o amuleto de Crystal – a única coisa que ela havia deixado para ele. Então, de repente - ele abriu os olhos de novo. Sua cabeça estava latejando, o zumbido era tão alto que ele mal conseguia pensar. Tudo parecia errado. Peraí... ele não tinha acabado de morrer no hospital? Por que o teto acima dele parecia exatamente como o do seu velho lar, rachado e descascando? Confuso, ele se sentou lentamente. E então ele a viu. Crystal Harland, encolhida no pé da cama, completamente despida. Seu rosto pálido e bonito parecia totalmente sem vida, como se toda a luz tivesse se apagado. Sua pele nua estava coberta de hematomas, cruzando-se em todas as direções. Jermaine sentiu como se alguém tivesse dado um soco em seu peito. Seus olhos ficaram vermelhos instantaneamente. Será que seus olhos estavam pregando uma peça? Seria algum sonho cruel? Ele esfregou os olhos e não pôde deixar de sussurrar, "Crystal..." Ele se aproximou dela, querendo abraçá-la, mas ela de repente gritou e se debatia freneticamente, pânico nos olhos. "Fica longe de mim! Não me toca!" A voz dela falhou de angústia. Vendo a reação da esposa, Jermaine Anderson congelou. Ao vê-la tremer dos pés à cabeça, a memória o atingiu como um caminhão. Naquela época, Crystal tinha pegado emprestado algum dinheiro dos pais para comprar comida para o bebê. Mas ele... ele descobriu e pegou o dinheiro para comprar bebida, já atolado em dívidas de jogo. Então, bêbado e furioso, voltou para casa e descontou tudo nela - mãos brutas, palavras duras e insultos que ele nem se lembrava de ter dito. Jermaine se amaldiçoou em silêncio. Lixo. Sem hesitar, ele deu tapas vigorosos em seu próprio rosto. Um, dois – mais de dez vezes. Os estalos agudos ecoaram no quarto miserável. Logo seu rosto anguloso estava inchado e sangrando pelo canto da boca. Crystal, com as lágrimas ainda secando no rosto, permanecia ali, observando. Então aquele sorriso de escárnio surgiu. Ah, quantas vezes ela já tinha visto essa cena?

Toda vez que ele ficava sóbrio, era a mesma cena—ajoelhado, chorando, prometendo o mundo. E todas as vezes, jurava mudar, até se batia como se falasse sério. Mas alguma coisa realmente mudava? Nunca.

Ela conseguia aguentar seus modos rudes, seus gritos e valentia, mas deixar o filho passar fome? Isso não dava.

Mas não tinha leite, nenhum jeito de alimentar a criança...

O bebê começou a chorar de novo, fraquinho como um gatinho, cortando o silêncio. Um brilho surgiu nos olhos cansados de Crystal. Em pânico, ela agarrou algumas roupas para se cobrir pela metade e pegou a filhinha nos braços. A criança tentou mamar, não conseguiu, e começou a chorar ainda mais alto.

Da cama, Jermaine encarava a cena. Seus olhos arregalados, descrença estampada no rosto. Sua esposa, seu filho... vivos. Não parecia real.

Será que era... aquele talismã?

Logo antes de morrer, ele achava que o viu brilhar.

Ele tinha morrido sozinho, só com arrependimentos. E agora, vendo sua esposa e filho de novo, ele nem ousava piscar, com medo de que desaparecessem no ar.

Assim que o bebê gritou outra vez, Jermaine despertou do transe. Nada mais de só ficar ali sentado.

Levantou-se da cama rangente, agarrou suas roupas do chão e vestiu rapidamente enquanto corria para confortar sua esposa em lágrimas.

"Crystal, aguenta firme, vou achar algo para nossa menina comer,” ele disse, a voz tensa.

Com isso, passou por debaixo da cortina esfarrapada e saiu pela porta usando sapatos gastos, correndo em direção à pequena loja de mantimentos do vilarejo, do velho Sr. Smith.

Caramba, ter um corpo jovem de novo fazia diferença. Ele corria com passos leves, sem dores, sem a fadiga provocada pela quimioterapia pesando sobre ele. Os tratamentos de câncer em sua última vida o haviam destruído, por dentro e por fora.

Sim, ele mereceu cada pedacinho disso.

Na frente da loja, o Sr. Smith ergueu o olhar. O rosto enrugado do velho se iluminou com um sorriso, mostrando dentes amarelados.

"De volta para mais bebida? O de sempre?"

Na última vez, Jermaine valia bilhões, tinha envolvimento em dezenas de setores. Fórmula infantil? Ele poderia ter comprado uma fábrica inteira.

Mas agora? Nem uns trocados para alimentar a filha ele tinha. Engolindo o orgulho, ele falou.

"É... Sr. Smith, será que eu poderia pegar um pacote de mingau de arroz para bebê no fiado? Juro que te pago amanhã."

Ao ouvir a palavra "fiado" de novo, os olhos opacos do Sr. Smith se arregalaram. Ele olhou para as marcas vermelhas no rosto inchado de Jermaine. Jermaine Anderson, com mais de um metro e oitenta, era forte como uma parede de tijolos. Normalmente, as pessoas não se aproximavam, parecia ter uma barreira invisível ao seu redor. Pelo rosto machucado, provavelmente ele tinha bebido demais outra vez e descontado em si mesmo.

Que desperdício de um rapaz bonito. Dificilmente encontraria outro jovem tão forte e bem-apessoado por aqui.

Pena que por trás daquela aparência decente havia um homem que, por anos, raramente agia como tal. Se não fosse sua irmã ter arranjado aquele casamento, jamais teria conseguido uma esposa inteligente e bonita com ensino médio. Isso era raro nessa região.

Só de imaginar Crystal Harland encolhida, com roupas finas, o bebê nos braços e tremendo de frio...

O Sr. Smith suspirou enquanto se abaixava para pegar um saco de cereal de arroz guardado sob a prateleira.

Jermaine mal podia acreditar — ele realmente conseguiu convencer o Sr. Smith a lhe dar comida no fiado, mesmo com todos achando que sua palavra não valia nada. Fez um monte de promessas e correu para casa.

Ao se aproximar, ouviu o choro da filha no quintal de barro. Aquele som baixo e angustiante o atravessou.

Ele correu para dentro.

Lá estava Crystal, exatamente como quando ele saiu — pernas à mostra e cheia de hematomas. Seu coração parecia ser esfaqueado. Como ele pôde tratá-la assim quando estava bêbado? Não era de se admirar que ela tivesse acabado com tudo em sua vida passada...

Ela estava mal coberta com um dos casacos velhos dele. Aposto que todas aquelas roupas boas que trouxe da cidade já tinham sido trocadas por bebida.

O peito de Jermaine apertou de novo, os olhos ficaram vermelhos enquanto ele sussurrava roucamente, "Vou ferver água. Você... alimenta nossa menina com o mingau de arroz."

O rosto de Crystal ficou pálido quando percebeu que ele realmente havia conseguido um pouco de comida. Ela segurou o bebê perto, como uma galinha protegendo seu pintinho, com os olhos cheios de medo.

"Estou te avisando, Jermaine Anderson—se você sequer pensar em vender nossa filha, eu juro que vou morrer lutando contra você. Que todo o seu sangue apodreça!" Sua voz se quebrou com desespero, cheia de raiva e desespero.

Jermaine congelou, maxilar tenso. Era verdade. Ele havia planejado vender a filha para um casal mais velho e sem filhos na cidade—para gastar em bebida.

O pensamento fez seu estômago embrulhar. Que tipo de monstro ele tinha sido?

Não é de se surpreender que ele tenha morrido de câncer testicular. Bem feito.

Ele se abaixou e colocou o cereal na velha mesa desequilibrada—uma das pernas faltava, sustentada por uma pedra.

Com os olhos vermelhos, a voz embargada, ele disse, "Eu fui um lixo. Do pior tipo. Mas acredite em mim, eu não vou vender nossa menina. Amanhã eu vou à cidade e arrumarei um trabalho."

Com isso, ele levantou a cortina escura e saiu.

Ele ficou parado por um momento, então deu tapas em seu próprio rosto—algumas vezes, com força. O sangue escorreu pela bochecha.

Ele se virou para olhar as três cabanas de palha esfarrapadas que chamavam de lar—vazias, sem móveis dignos de menção. Panelas frias, barris de comida vazios... nada sobrava.

Então ele se lembrou—foi exatamente neste mês, em sua vida passada, que sua esposa havia amarrado pedras a si mesma e à filha e se jogado no reservatório.

Todo o seu corpo tremia. Mas não havia tempo para fraquejar agora. A noite estava caindo. A casa estava sem comida. De novo.

Ele saiu correndo, em direção à montanha nos fundos.

No caminho, ele pegou uma rede de pesca e um trapo de shorts, fazendo com que os cães da aldeia começassem a latir como loucos.

Após meia hora de caminhada, ele chegou ao pé da montanha, tirou as roupas, revelando um corpo magro e bronzeado endurecido por anos de vida dura.